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Abr 09

O comentador político Marcelo Rebelo de Sousa deu, quarta-feira à noite, razão ao vice-presidente do PSD, Rui Rio, quando diz que os partidos, incluindo o seu, estão a «utilizar a luta contra a corrupção como arma de arremesso político». O analista político e Professor universitário falava na Escola Gomes Teixeira, no Porto, onde proferiu uma conferência sobre «Cidadania e Educação».

 

«Já tinha tido uma presciência disso quando no domingo passado tinha dito que respeitava posições diferentes e dei o exemplo do dr. Rui Rio, que me parecia que de facto tinha uma posição diferente da oficial do partido», frisou Marcelo.

 

Em declarações à Rádio Renascença, esta quarta-feira, Rio demarcou-se do projecto de lei do grupo parlamentar social-democrata que criminaliza o enriquecimento ilícito, que vai ser discutido quinta-feira no Parlamento. «Aquilo a que nós temos assistido nas últimas semanas é que andam a atirar projectos de lei à cara uns dos outros, em que cada um procura mostrar que sabe combater melhor a corrupção que o outro e está a fazê-lo da forma que pior pode ser feita», criticou o vice-presidente do PSD.

 

Marcelo qualifica a posição de Rio como sendo «legítima e respeitável», tendo como pressuposto que «esses temas são muito melindrosos e têm que ser bem pensados». Contudo, ressalva, «o facto de ser ano eleitoral não é necessariamente obstáculo a que se tomem algumas medidas impostas pela crise, impostas pela experiência de controlar durante a crise certo tipo do estatuto dos gestores quando há dinheiro público envolvido».

 

O Professor acrescenta que «vários outros países estão a fazer isso», como Alemanha, também num ano de eleições. «Acho que o dr. Rui Rio tem razão quanto a dizer que isso tem de ser feito sem demagogia, pensadamente, não atabalhoadamente, e, como eu também disse no domingo passado, o pacote do PS é muito atabalhoado, é feito a correr em cima das propostas do Bloco de Esquerda», especifica Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Para o comentador político, Rio, «no fundo, não conhece a proposta do partido», mas a sua posição traduz «uma demarcação em relação à orientação oficial do partido».

 

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